"Faze o que tu queres há de ser tudo da Lei."

A Vida no Círculo

Depois que você conclui os quarenta e nove dias do Chamado de Babalon, entrega a obra que brotou desse processo, escreve sobre o que viveu, conversa sobre o Credo e é acolhide na cerimônia, você passa a fazer parte do Círculo das Crianças da Terra. A partir daí, não começa um curso novo com etapas a cumprir; o que acontece é que o caminho que já vinha sendo trilhado ganha um nome, um campo e uma companhia. Estar no Círculo é continuar caminhando, enquanto fizer sentido, com Babalon presente na sua vida.

A vida no Círculo segue um movimento muito simples, que se repete e se aprofunda com o tempo: você pratica, percebe, manifesta e, quando sente, partilha. Não há pressa nem lista de metas a bater; há um fio que, se você escolher segurar, pode atravessar meses e anos.

A prática devocional é esse fio. De modo geral, convidamos quem está no Círculo a reservar, ao menos uma vez por semana, um momento para o Chamado de Babalon, ou outro rito indicado pelo Santuário, feito com atenção e presença. Em alguns períodos você talvez queira praticar mais, em outros talvez precise de um ritmo mais suave, mas a intenção é que a ligação com a egrégora não desapareça completamente da sua rotina.

O compromisso com o Círculo é leve, mas real. Espera‑se basicamente que você mantenha algum tipo de prática devocional, que respeite o Código de Conduta do Santuário de Babalon — cuidando do próprio corpo e da própria história e respeitando os de outres, sem assédio ou discriminação — e que apareça no grupo de partilha de tempos em tempos. Para quem desejar aprofundar estudo sistemático, existe também a OETO, que pode ser buscada em outro momento como escolha opcional — nunca como requisito para pertencer ao Círculo.

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O Chamado de Babalon

Este é o rito de ingresso e manutenção do nosso vínculo. Ele deve ser executado durante um período de 49 dias contínuos. Caso esteja realizando o ritual pela primeira vez, você deve iniciar em um dia de lua nova. Caso já tenha realizado outras vezes, inicie na lua cheia. É aconselhável manter um diário durante esse período anotando sonhos, sensações, experiências e atos.

Requisitos para o Rito

  • Japamala / Rosário com 49 pétalas ou contas (pode ser substituído por um cordão com 49 nós).
  • Velas Vermelhas (podem ser substituídas por brancas, particionadas se necessário).
  • Taça Dourada.
  • Vinho Tinto (pode ser substituído por suco de uva integral, chá de hibisco ou água).
  • Incenso de Sândalo (ou outro que se tenha à mão).

Nota: Tome cuidado para que a vela, ou a porção que for acesa ao início do ritual, queime até o final por si mesma, sem ser apagada pelo praticante ao final do rito.

1. Abertura

Coloque a taça com o vinho no altar. Acenda a vela e diga:

No firmamento brilhante da eternidade,
BABALON, a estrela resplandecente.
Teu nome é um cântico nas alturas,
Fogo e paixão ardem, tudo é luz.

Sob a vastidão de NUIT, tu vens,
Incestuosa irmã de luas e sóis.
És canção desviada, trombeta da verdade,
Bandeira que flutua onde o tempo reúne seus filhos.

Acenda o incenso e diga:

De sândalo o perfume, a roupa de verde e ouro,
Na taça de BABALON, segredos são derramados.
As canções de amor, todas sobre ti,
Estrela que brilha no vasto Sétimo Ar.

O altar está pronto, o livro, a lâmina,
Por entre chamas do Inferno, tu virás, rainha amada.
Os véus atravessas com tremor estelar,
O mundo em tua mão, no coração a esperança a pulsar.

Invoco-te agora, na dança e na festa,
Com vinho e encantos sob a Noite de Pan.
Para ti todos os amores, sagrados e verdadeiros,
Avançamos com tua estrela, em vitória e amor pelo plano.

IN NOMINE BABALON DOMINA ABYSSI

2. Mantra de Babalon

Pegue agora seu rosário e ore solenemente a cada uma das contas (49 repetições):

Omari tessala marax,
tessala dodi phornepax.
amri radara poliax
armana piliu.
amri radara piliu son';
mari narya barbiton
madara anaphax sarpedon
andala hriliu.

3. Sacramento

Erga a taça com ambas as mãos e diga:

Por entre as estrelas, uma tumultuosa alvorada,
Rubra e ardente, trazendo o vinho da renovação.
Dor e ira, marcas de um nascimento transcendente,
A face de Deus ofuscada pelo rubi flamejante.

O cálice sagrado, agora repleto de mistério,
Em átrios profundos, se renova o destino da Terra.
Lágrimas, essência e sangue a derramar,
Na taça das santidades, uma nova era a brilhar.

Santuários tremem, o aço da guerra canta,
Mas também entoam os hinos dos santos.
Na rubra alvorada, sob o olhar do Divino,
BABALON nasce, em rito e destino.

Desvelada, sua beleza além do mortal,
No céu da meia-noite, uma promessa de um novo sinal.
Mantos de pecado caem, revelando a chama,
Seu canto resplandecente que toda alma clama.

Ela, em forma mortal, abraça a dura missão,
Pela dor e pela morte, redefinindo a salvação.
Os grilhões se rompem, os portões declinam,
No Nascimento de BABALON, as estrelas se alinham.

Sacramento de paixão, seus lábios rubros nos convidam,
E no fogo de seus quadris, as velhas normas são tidas.
No cálice sagrado, o vinho dos santos imortais,
Celebramos a dança, os ritos e rituais.

Sob a bênção de sua dança, no fervor da renovação,
Desaparece o ódio, floresce a redenção.
Com risos e amores, seguimos em adoração,
Celebrando, eternamente!

4. Encerramento

Consuma todo o vinho até esvaziar por completo a taça. Repouse-a novamente no altar e diga forte:

IN NOMINE BABALON DOMINA ABYSSI!

Permaneça alguns instantes em silêncio para que a energia do ritual se assente. Despeça-se em sua mente e encerre o rito. Lembre-se: a vela vermelha deverá continuar a queimar até o fim por si mesma.

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Concluiu os 49 Dias?

Após finalizar o ciclo contínuo e produzir a sua obra inspirada pelo processo, o próximo passo é registrar sua jornada para ingressar formalmente no Círculo.

Preencher o Relatório da Obra